Toxicidade por Nicotiana glauca: uma revisão sobre os aspectos clínicos e circunstâncias da intoxicação

  • Administrador Revinter Intertox
  • Jamily Dantas Holanda
  • Anna Luiza Vieira Feitosa Gomes Oliveira
  • Joanderson da Silva Santos
  • Yasmin Cristina Falcão Costa
  • Tatiana Paschoalette Rodrigues Bachur
Palavras-chave: Nicotiana glauca, Intoxicação, Sinais e sintomas, Plantas Tóxicas

Resumo

A Nicotiana glauca, popularmente conhecida como "charuto-do-rei", "tabaco-bravo" ou "pau-tabaco", é uma planta arbustiva invasora pertencente à família Solanaceae, amplamente distribuída em diversas regiões do mundo, incluindo o Brasil. A intoxicação por ingestão acidental dessa espécie representa um risco significativo para usuários que não possuem conhecimento prévio das toxicidades da planta. Seus efeitos tóxicos são resultantes da ação dos alcaloides da planta, principalmente a anabasina e nornicotina exercendo uma função agonista sobre os receptores nicotínicos de acetilcolina. A presente revisão tem o objetivo de identificar os principais achados clínicos associados à intoxicação acidental pela planta, analisando o contexto de intoxicação e o perfil dos casos relatados na literatura. Foi realizada uma pesquisa em três bases de dados: MEDLINE, EMBASE e LILACS, a qual resultou na seleção de seis artigos para a leitura na íntegra e extração de dados. A análise da literatura mostra casos de ingestão por confusão botânica, em que a Nicotiana glauca é confundida com plantas comestíveis sendo, a maioria, por indivíduos que possuem plantação própria. As manifestações clínicas começam poucas horas após o consumo da planta, com náuseas e vômito. A presença de diarreia e dores abdominais destacam-se nos momentos iniciais. Em casos mais graves pode expandir para problemas gastrointestinais severos, comprometimentos neuromusculares e cardiorrespiratórios. Além disso, foi possível observar um perfil etário específico de indivíduos acima de 50 anos, com exceção de um paciente de 18 anos, mostrando a vulnerabilidade desse grupo. Foi possível concluir que são essenciais estratégias para reduzir a ingestão acidental, mediante um processo educativo prévio a indivíduos com hábitos de cultivo domiciliar para consumo próprio, principalmente para grupos etários mais vulneráveis, visando a evitar a confusão botânica.
Publicado
2026-02-06
Como Citar
Revinter, A., Holanda, J. D., Oliveira, A. L. V. F. G., Santos, J. da S., Costa, Y. C. F., & Bachur, T. P. R. (2026). Toxicidade por Nicotiana glauca: uma revisão sobre os aspectos clínicos e circunstâncias da intoxicação. Revista Intertox De Toxicologia, Risco Ambiental E Sociedade, 19(1), 103-114. https://doi.org/10.22280/revintervol19ed1.608