Características Físico-Químicas e Toxicológicas do Carbendazim

Palavras-chave: Toxicologia, Carbendazim, Fungicida, Regulamentação, Potabilidade

Resumo

O carbendazim é um fungicida amplamente utilizado em diversas culturas agrícolas, bem como nas indústrias têxtil, de tintas, papel e couro. No Brasil, seu uso foi proibido pela ANVISA em 2022, embora haja atualmente propostas em tramitação na Câmara dos Deputados visando à sua reautorização. A substância apresenta baixa solubilidade em água (18,43 mg/L) e um coeficiente de partição octanol-água (log Kow) de 1,52, indicando maior afinidade por moléculas hidrofílicas. Possui baixa volatilidade (pressão de vapor de 0,09 mPa), mobilidade moderada no solo (Koc = 225) e persistência ambiental moderada. De acordo com a Portaria GM/MS nº 888/2021, o limite máximo permitido de carbendazim em água potável é de 120 μg/L. Para proteção da vida aquática, o valor de concentração prevista sem efeito (do inglês, predicted no-effect concentration, PNEC) estabelecido pelo banco de dados NORMAN é de 0,44 μg/L para ambientes de água doce. O carbendazim já foi detectado em diferentes tipos de águas, tanto no Brasil quanto no mundo em concentrações que variam entre 1 e 60.000 ng/L, com frequências de detecção de 5,6% a 100%. No Brasil, o agrotóxico já foi detectado em amostras de água potável no valor máximo de 60 μg/L, dentro do limite de potabilidade, não representando risco à saúde humana segundo os critérios de risco adotados neste trabalho. Por outro lado, a concentração mais elevada registrada em águas superficiais (8,41 μg/L) excede em aproximadamente 19 vezes o limite de proteção à vida aquática, indicando risco ambiental significativo. Assim, caso a re-autorização do uso do carbendazim seja aprovada, recomenda-se sua inclusão nos parâmetros da Resolução CONAMA nº 357/2005, a fim de garantir a proteção adequada da vida aquática.

Biografia do Autor

Marcos Vinicius de Souza, Faculdade de Tecnologias - UNICAMP
Graduando em Engenharia Ambiental na Universidade Estadual de Campinas, na Faculdade de Tecnologias (Unicamp/FT), em Limeira/SP. Membro do projeto "Convivas: Matemática e Tecnologia"; atuou como coordenador de PDI na organização Sinergia - CTE; Trabalhou com Educação Ambiental e Eventos no projeto GTCMA - Grupo de Tecnologia e Cuidados com o Meio Ambiente. Atualmente realiza iniciação cientifica na área de tratamento de efluentes e coagulantes naturais
Publicado
2026-02-06
Como Citar
de Souza, M. V., Trindade Lima, J., de Barros Souza , R., Martins Almeida, D. A., Jorge Stek, G., Prette, J. P., e Pereira da Costa Santos , N., Andrade Reis, T., & Gonçalves Domingues , V. E. (2026). Características Físico-Químicas e Toxicológicas do Carbendazim. Revista Intertox De Toxicologia, Risco Ambiental E Sociedade, 19(1), 57-74. https://doi.org/10.22280/revintervol19ed1.606