Uso da cocaína: de Chernoviz (1904) aos dias atuais

  • Matheus Eugênio de Sousa Lima Universidade Estadual do Ceará
  • Samuel Frota Cunha Universidade Estadual do Ceará
  • Lívia Maria Eugênio Lopes Hospital Mental Frota Pinto
  • Tatiana Paschoalette Rodrigues Bachur Universidade Estadual do Ceará

Abstract

Durante os tempos de império, a medicina brasileira era pouco presente em grande parte do território. A população, pois, fazia o uso de manuais para suprir essa necessidade, e assim, garantir o cuidado à saúde. “Formulário”, escrito por Chernoviz, é um deles. Neste livro, é possível obter informações sobre uma grande quantidade de substâncias medicinais, porém uma nos chama a atenção: a cocaína. Por muito tempo, essa droga foi utilizada para diversos fins terapêuticos, dentre eles, a anestesia. No entanto, com o desenvolvimento de estudos toxicológicos e as mudanças na dinâmica social, a cocaína foi perdendo, aos poucos, seu papel como medicamento e ganhando, cada vez mais, o aspecto de droga de abuso. Por meio de um estudo de análise teórica, do tipo revisão narrativa, é descrita não só a utilização histórica da cocaína como medicamento - especialmente sob o olhar de Chernoviz -, como também suas aplicações atuais (e de seus derivados) e a mudança de panorama da droga, abordando seus efeitos tóxicos sobre o organismo e seu impacto social.

Author Biographies

Matheus Eugênio de Sousa Lima, Universidade Estadual do Ceará
Estudante do curso de Medicina da Universidade Estadual do Ceará.
Samuel Frota Cunha, Universidade Estadual do Ceará
Estudante do curso de Medicina da Universidade Estadual do Ceará.
Lívia Maria Eugênio Lopes, Hospital Mental Frota Pinto
Médica pela Universidade Severino Sousa (USS-RJ), Especialista em Medicina da Família e Comunidade e em Psiquiatria, Coordenadora do Serviço de Residência Médica em Psiquiatria da Infância e Adolescência do Hospital Mental Frota Pinto em Fortaleza-CE.
Tatiana Paschoalette Rodrigues Bachur, Universidade Estadual do Ceará
Farmacêutica pela Universidade Federal do Ceará (UFC), Especialista em Vigilância Ambiental, Mestre em Patologia, Docente da Disciplina de Toxicologia do Curso de Medicina da Universidade Estadual do Ceará (UECE).

References

ALHAJJAJ M, BHIMJI S. Cough, Cronic. StatPearls Publishing. Florida. 2017.

ALMEIDA CSA, LUIS MAV. Características sociodemográficas e padrão do uso de crack e outras drogas em um CAPS AD. Rev Enfermagem UFPE, Recife. 11(4):1716-1723. 2017.

ASCASO FJ, PELIGERO J, LONGÁS J, GRZYBOWSKI A. Regional anestesia of the eye, orbit and periocular skin. Clinics in Dermatology, 33:227-233, 2015.

BERTUCCI-MARTINS LM. Educação e diferentes saberes sobre a saúde no início do novecentos: o saber médico e a educação dos leigos – os dicionários de medicina doméstica. UFPR, Paraná. 2004. Disponível em: http://www.sbhe.org.br/novo/congressos/cbhe3/Documentos/Individ/Eixo4/133.pdf, Acesso em: 4 de julho de 2017.

BIONDICH AS, JOSLIN JD. Coca: The History and Medical Significance of an Ancient Andean Tradition. Emergency Medicine International. 2016.

CHERNOVITZ PLN. Formulário e Guia Médico, 17a edição, Paris. 1904.

DANESHKAZEMI A, ABRISHAM SM, DANESHKHAZEMI P, DAVOUDI A. The efficacy of eutectic mixture of local anesthetics as a topical anesthetic agent used for dental procedures: a brief review. Anesth Essay Res. 10(3):383-387, 2016.

FERREIRA FILHO OF, TURCHI MD, LARANJEIRA R, CASTELO FILHO A. Perfil sociodemográfico e de padrões de uso entre dependentes de cocaína. Rev de Saúde Púb. São Paulo, 37(6):751-759, 2003.

FERREIRA PEM, MARTINI, RK. Cocaína: lendas, história e abuso. Rev Bras Psiquiatr. São Paulo, 23(2):96-9, 2001.

GALDURÓZ, JCF. Epidemiologia do uso de substâncias psicoativas no Brasil: peculiaridades regionais e populacionais específicas. Módulo 1, Capítulo 2. SUPERA, Sistema para detecção do uso abusivo e dependência de substâncias psicoativas: encaminhamento, intervenção breve, reinserção social e acompanhamento. 2006.

GUIMARÃES MRC. Civilizando as artes de curar: Chernoviz e os manuais de medicina popular no império. Programa de Pós-graduação em História das Ciências da Saúde. Rio de Janeiro. Fiocruz, 2003.

HART, C. Um Preço Muito Alto: a jornada de um neurocientista que desafia a nossa visão sobre as drogas. Editora Zahar, Rio de Janeiro, 2014.

HERNÁNDEZ L, SÁNCHEZ MAM. Cocaína, Farmacologia, Intoxicação Aguda. Patología, Psicopatología. Legislación. Madrid, España. Editorial Medica Panamericana, p.113-134, 1999.

MOREIRA TRSR. Maratonas e rambles: A emergência dos tóxicos como um problema social no início do século XX. UNICAMP. São Paulo, 2015. Disponível em: http://repositorio.unicamp.br/bitstream/REPOSIP/279694/1/Moreira%2C%20Thamires%20Regina%20Sarti%20Ribeiro_M.pdf, Acesso em: 04 de julho de 2017.

PINO MB, JIMENEZ FJA. Transtorno por consumo de substancias en la vejez: enfoque psicossocial. Rev Arg de Gerontología y Geríatria. Buenos Aires, 31(1):3-13, 2017.

RICHARDS J, LAURIN E. Cocaine. StatPearls Publishing. Florida. 2017. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK430769/. Acesso em: 4 de julho de 2017.

RICHARDS J, LE J. Toxicity, Cocaine. StatPearls Publishing. Florida. 2017. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK430976/. Acesso em: 4 de julho de 2017.

SAPORI LF, SENA LL, DA SILVA BFA. Mercado do crack e violência urbana na cidade de Belo Horizonte. DILEMAS: Rev de Estudos de Conflito e Controle Social, Rio de Janeiro. 5(1):37-66, 2012.

SILVA CM. O Uso de Drogas na Adolescência: Identificação de Estratégias e Proposta de Prevenção. Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao curso de Especialização em Atenção Básica em Saúde da Família, Universidade Federal de Alfenas. Minas Gerais, 2014. Disponível em: https://ares.unasus.gov.br/acervo/bitstream/handle/.../CASSIA-MARIA-SILVA.pdf. Acesso em: 4 de julho de 2017.

SOCIEDADE BRASILEIRA DE QUEIMADURAS, Cartilha de Primeiros Socorros e Cuidados. Disponível em: http://sbqueimaduras.org.br/queimaduras-conceito-e-causas/primeiros-socorros-e-cuidados/, Acesso em: 05 de julho de 2017.
TEIXEIRA, MB, ENGSTROM EM, RIBEIRO JM. Revisão sistemática da literatura sobre crack: análise do seu uso prejudicial nas dimensões individual e contextual. Saúde Debate. Rio de Janeiro. 41(112):311-330, 2017.

UNODC. Relatório Mundial Sobre Drogas 2008. Escritório das Nações Unidas Contra Drogas e Crimes. Disponível em: www.unodc.org/lpo-brazil/pt/drogas/relatorio-mundial-sobre-drogas.html. Acesso em: 04 julho de 2017.

ZILBERT A. Topical anesthesia for minor gynecological procedures: a review. Obstet Gynecol Sury. 57(3):171-8, 2002.

ZIMMERMAN JL. Cocaine Intoxication. Critical Care Clinics. Houston. 28(4):517-526, 2012.
Published
2018-02-26
How to Cite
Lima, M. E. de S., Cunha, S. F., Lopes, L. M. E., & Bachur, T. P. R. (2018). Uso da cocaína: de Chernoviz (1904) aos dias atuais, 11(1). https://doi.org/10.22280/revintervol11ed1.328